O
desenvolvimento técnico-científico que a
Odontologia vem estabelecendo na última década
foi fortemente influenciada pelo surgimento e implementação
de uma incrível variedade de exames de diagnóstico
por imagem. As radiografias convencionais que durante
décadas hemogeneizaram os exames por imagem na
Odontologia estão, cada vez mais, ganhando valiosos
aliados como a tomografia computadorizada, a Imagem por
Ressonância Magnética, a Ultrasonografia
e a Medicina Nuclear. Estes exames complementares proporcionam
um ganho inestimável no diagnóstico, planejamento
terapêutico e proservação de nossos
pacientes, devido à obtenção de imagens
volumétricas, resolvendo as limitações
encontradas no exame radiográfico convencional
bidimensional. Faz necessário, entretanto, uma
boa percepção e conhecimento por parte do
profissional das vantagens, desvantagens, indicações
e contra-indicações de cada método,
para um melhor usufruto dos benefícios proporcionados
por cada uma destas técnicas.
Neste
contexto a Tomografia Computadorizada tem sido rapidamente
incorporada na rotina de inúmeras especialidades
odontológicas, devido à sua grande usuabilidade
no planejamento de implantes osseointegrados, diagnóstico
de doenças e lesões do sistema estomatognático,
estudo da articulação temporomandibular
e mais recentemente no planejamento ortodôntico/ortognático
através da cefalometria em terceira dimensão.
Na implantodontia a TC tem de mostrado elevada acurácia
na avaliação da altura e espessura dos rebordos
ósseos; na traumatologia demonstra de forma precisa
o real envolvimento de todas as estruturas maxilofaciais;
e na estomatologia possibilita o correto delineamento
dos processos patológicos, sendo utilizado, inclusive,
na diferenciação entre as afecções
císticas e neoplásicas.
O
destaque do exame de tomografia computadorizada (TC) reside
no fato de proporcionar a visualização e
a interpretação de imagens conjugadas que
quando somadas possibilitam o estudo volumétrico
(nas três dimensões do espaço) da
estrutura estudada (Imagem 01). A análise completa
de todas as imagens é de fundamental importância
para um entendimento espacial tridimensional do exame,
possibilitando a correta interpretação das
estruturas envolvidas, e minimizando os erros decorrentes
de interpretação de imagens não conjugadas.
O diagnóstico não deve ser baseado na visualização
de uma única imagem, mas sim no somatório
de informações que todas as imagens disponibilizam.
A visualização tanto de tecidos moles quanto
de tecidos duros em um único exame, sem sobreposição
de imagens, conferem a TC a grande aplicabilidade nas
mais diferentes especialidades odontológicas.
Uma
vertente que tem ganhado cada vez mais valor e importância
no que concerne a TC é a utilização
das reconstruções em terceira dimensão
(3D-TC). A interação da computação
gráfica em 3D utilizando softwares de processamento
de imagens de alta capacidade, permitem obter medidas
lineares e volumétricas, implementando a análise
qualitativa e quantitativa através de um refinamento
do processamento das imagens adquiridas pelo tomógrafo.
A utilização de diferentes protocolos em
reconstrução 3D, dentre eles o protocolo
ósseo, vascular e muscular, tem sido utilizado
para o diagnóstico, planejamento e acompanhamento
dos pacientes tratados, tendo as suas indicações
específicas para cada caso (Imagem 02). Cabe ressaltar
que embora as reconstruções em terceira
dimensão sejam comumente utilizadas como uma valiosa
ferramenta de marketing junto ao paciente deve ser manipulada
com cautela no estabelecimento de diagnósticos,
principalmente pela presença de resultados falso-positivos
entremeados em uma análise menos criteriosa.
A
tomografia computadorizada vem ocupar uma vacância,
somando como mais uma ferramenta em nosso arsenal de exames
por imagem. É uma realidade que já fincou
residência, cabendo a nós introduzi-la em
nossa rotina cotidiana para que a resoluta satisfação
de nossos pacientes seja alcançada.